sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

POVOADORES DO SERTÃO DE CURITIBA (LAGES)

Os primeiros povoadores da vila de Nossa Senhora dos Prazeres das Lagens teriam vindo de São Paulo com o seu fundador, o capitão-mor regente Antônio Corrêa Pinto ou chegaram logo depois com suas famílias, passando a constituir novos núcleos familiares. Alguns já conheciam a região, como o capitão-mor regente do Sertão de Curitiba ou já estavam estabelecidos no local. Dos que estão citados nas atas da Câmara de Lages e outros que assinaram suas vereanças, DACHS procurou levantar as biografias e referências genealógicas, as quais ele publicou no Guia Serrano, de Lages, à semelhança do que realizou Moacyr DOMINGUES, no Rio Grande do Sul, quando escreveu no Diário Serrano de Cruz Alta, sobre os primeiros povoadores dessa região serrana do Planalto Médio.

Walter DACHS, consultando os registros da Câmara de Lages, informa que de 13 a 14 moradores, seu número cresceu para 100 fogos, na época do Morgado de Mateus, porque, para incentivar o povoamento, ele concedia indultos a quem fosse se estabelecer "neste sertão", além de não cobrar os quintos sobre os animais negociados. Porém, quando Lobo de Saldanha assumiu o governo da Capitania, houve execuções de processos e passou a ser cobrado o imposto sobre os animais. Despovoou-se a vila, sendo que em 1781, 45 famílias retiraram-se para o Viamão e para Curitiba, existindo só 35 fogos.

O temperamento violento do capitão-mor Antônio Corrêa Pinto também teria concorrido para esse despovoamento, depois de suas brigas com os camaristas. Em 1786, estando em São Paulo para tratamento de saúde, moravam na vila somente seu substituto, Bento do Amaral Gurgel, o reverendo vigário e o escrivão da Câmara, expostos aos ataques dos bugres.

Fonte: Genealogia Tropeira


Comentário:

O Professor Walter Dachs, no jornal Guia Serrano de Lages, e Moacyr Domingues, no jornal Diário Serrano de Cruz Alta, foram importantes pesquisadores históricos e genealógicos das Serras Catarinense e Gaúcha que  tiveram a fundamental iniciativa de popularizar o resultado de suas pesquisas por meio de periódicos regionais. Os escritos de ambos tem sido permanente fonte de consulta para as pessoas interessadas em saber os dados de suas ancestralidades, nos primórdios do povoamento serrano de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.

Dachs, pesquisador da Guerra do Contestado, foi homenageado em Lages com nome de rua central próxima ao Colégio Santa Rosa. Moacyr Domingues tem ligação familiar, mesmo distante, com a Família Arruda da Serra Catarinense, pois José Domingues de Arruda, o pioneiro povoador, veio para a Coxilha Rica oriundo da região de Caçapava do Sul RS, território englobado no mapa de pesquisas de Moacyr.




segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

BANDEIRANTES MAXIMIANO DE OLIVEIRA LEITE E INÁCIA PIRES DE ARRUDA

Maximiano de Oliveira Leite era filho de Francisco Pais de Oliveira Horta – falecido em 1701, em Santana de Parnaíba – com sua esposa Mariana Pais Leme irmã de Garcia Rodrigues Paes Leme e filha do Governador das Esmeraldas Fernão Dias Paes (LEME, 2002: 2ºv, 1079). Ou seja, pela descendência matrilinear Maximiano era neto do bandeirante que “mais largo renome deixou na história da expansão geográfica brasileira, depois de Antônio Raposo Tavares” (FRANCO, 1989: 282-285), e sobrinho de Garcia Rodrigues Pais Leme que, dentre outros feitos: foi capitão-mor e administrador da entrada e descobrimento das minas dos Cataguazes; abriu um caminho que ligava as ditas minas ao Rio de Janeiro; foi nomeado para o posto de guarda-mor geral das minas, obteve o título de fidalgo da Casa Real; descobriu inúmeros veios auríferos e, juntamente com seu pai, Fernão, entregou-se na conquista de novas terras e gentios (FRANCO, 1989: 215-217) – o que lhes conferiu qualidade de nobreza, outorgando-lhes uma superioridade na hierarquia estamental. Tais realizações foram levadas a cabo sempre às custas de suas fazendas, o que se traduziu largamente em mercês régias.
Francisco Pais de Oliveira Horta, o pai de Maximiano, seguiu com Fernão e Garcia, em 1674, para o sertão dos Cataguazes onde, através da mineração, obteve fortuna (FRANCO, 1989: 119). Observa-se que Maximiano de Oliveira Leite pertencia àquilo denominado “melhores famílias da terra”, ou seja, famílias que conseguiram acumular consideráveis cabedais e prestígio social quer através da atividade de conquista, quer através da ocupação de cargos da governança, quer através de atividades comerciais (FRAGOSO, 2000).
Observando o casamento realizado por Maximiano, percebemos um recorrente recurso utilizado pela elite colonial: o casamento entre iguais. Maximiano casou-se por procuração, em 1722, com Inácia Pires de Arruda, filha de Francisco Pires Ribeiro com sua esposa Maria de Arruda (LEME, 2002: 4ºv, 662). Francisco Pires, era sobrinho de Fernão e o acompanhou, juntamente com Garcia e Francisco Pais, em 1674, ao sertão dos Cataguazes, na jornada da Sabaraboçu (FRANCO, 1989: 339-340). Ora, ao casarem entre si tais indivíduos garantiam não somente a permanência de suas fortunas no seio da própria família, mas também reafirmavam a hierarquia e a desigualdade estamental da sociedade colonial, pois esses casamentos demonstravam a diferença existente entre a minoria pertencente às melhores famílias da terra, os “Homens Bons”, e a grande maioria que não preenchiam os requisitos necessários para fazerem parte desse seleto grupo. Observando a árvore genealógica de Maximiano percebemos claramente tais tipos de uniões.

Fonte: http://www.espacoacademico.com.br/050/50esp_mathias.htm

O famoso escritor mineiro Pedro Nava, em seu livro Baú de Ossos, página 152, faz a seguinte citação sobre os bandeirantes Maximiano e Inácia: " À admirável memória desta nossa respeitável tia (referindo-se a genealogista mineira Dona Lourença), a primogênita da irmandade de nossa mãe, devemos em grande parte a presente notícia dos descendentes de seus bisavós Maximiano de Oliveira Leite e Dona Inácia Pires de Arruda".

Dona Lourença ditou ao Visconde de Nogueira da Gama boa parte da Genealogia de Famílias Mineiras (1907)

domingo, 19 de fevereiro de 2012

INÁCIA, PROVÁVEL MATRIARCA DAS FAMÍLIAS PIRES, RIBEIRO E ARRUDA DA SERRA CATARINENSE

MORTE DO CAÇADOR DE ESMERALDAS 

FERNÃO DIAS PAES LEME - O CAÇADOR DE ESMERALDAS

GENEALOGIA MINEIRA

Região Sudeste - Genealogias

PAIS DE OLIVEIRA HORTA -  Marco Polo T. Dutra P. Silva

Francisco Pais de Oliveira Horta nasceu em São Paulo, filho de Salvador de Oliveira Horta e Antônia Pais de Queiróz.
Ele foi casado com Mariana Dias Pais Leme, filha do Caçador das Esmeraldas Fernão Dias Pais Leme e com Maria Garcia Rodrigues Betting (SL, tit. HORTAS, IV, 331). Carvalho Franco (CF, verbete HORTA, Francisco Pais de Oliveira) conta que ele acompanhou o sogro em 1674 para os Sertões dos Cataguases, em busca das riquezas do Sabará-boçu. Descoberto o metal, minerou na região por algum tempo. Enriquecido, voltou a São Paulo e se estabeleceu em Santana de Parnaíba. Ele faleceu em 1701 e ela já estava morta em 1660.

Pais de: 
1.1 - Maria Garcia de Abreu, casada com o guarda mor Bernardo de Chaves Cabral, filho de de Manuel da Costa Pinto e Antônia de Chaves.  1.2 - Cel. Maximiano de Oliveira Leite, batizado em Parnaíba no dia 29 de outubro de 1701 (VTM, I, 78) e casado em 1722, por procuração, com Inácia Pires de Arruda, natural de Itu, filha de Francisco Pires Ribeiro e Maria de Arruda.

Comentário do blogueiro:

Pode ser apenas coincidência, mas entre os pioneiros de Lages e da Coxilha Rica encontramos pessoas das Famílias Pires, Ribeiro e Arruda. Vamos avançar nesta pesquisa, pois as três famílias tropeiras citadas são oriundas do Interior de São Paulo, com passagem pela região farroupilha correspondente à atual Grande Porto Alegre, onde os registros genealógicos são escassos.

O bandeirante Fernão Dias Paes Leme é um importante minerador da História do Brasil.  Seu genro Francisco Paes de Oliveira Horta o acompanhou na busca pelas esmeraldas, obteve sucesso e enriqueceu sobremaneira.  

Talvez aí esteja a origem da grande fortuna que é atribuída a José Domingues de Arruda quando chegou com tudo que possuia e se estabeleceu até a morte em parte da Fazenda Guarda-Mor, dando importante contribuição histórica e familiar para a colonização da Serra Catarinense. 

Isto é apenas uma suposição carente de comprovação histórica.

Recomendo:http://pt.wikipedia.org/wiki/Fern%C3%A3o_Dias_Pais e http://www.unicamp.br/iel/memoria/Ensaios/LiteraturaInfantil/14contos.htm