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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

CONCORRÊNCIA ENTRE A CATEDRAL DE LAGES E O MONUMENTO GETÚLIO VARGAS


MONUMENTO GETÚLIO VARGAS ATRAPALHANDO VISTA DA CATEDRAL
 Jose Carlos Arruda de Sousa para o São Joaquim Online

Escalaram o Frei Rapa Bocó, de nome sugestivo, para levantar os fundos entre os Coronéis da Coxilha Rica.Se não enchessem o bocó dele, já amaldiçoava o vivente na hora, reservando-lhe um passaporte para o Quinto dos Infernos, incluindo mais umas cinco ou seis gerações futuras. Por isso hoje tem muito cidadão, ex-fazendeiro rico, vivendo de mendicância, no limiar da miséria, na Rua da Amargura.

José Maria Domingues de Arruda, o Coronel dos Coronéis, doou quase 30% do desembolso necessário para a obra, de tanto medo de ser excomungado pelo temido coletor católico e provar dos afamados martírios do lago de fogo e enxofre. Só lhe restou, como homenagem póstuma, um nome de rua no Bairro da Brusque.

A coleta da Igreja era no atual estilão Bispo Macedo e das indulgências da Idade Média. Rendeu tanta grana que importaram sinos, órgãos, santos e santas, vitrais, etc e tal, usando, para valorizar em parte a mão-de-obra e a matéria prima local, caboclada nativa e pedra do Morro Grande, coisa barata e de fácil acesso. O tinhoso Rapa Bocó morreu lutando na Guerra do Contestado.

Terminada a obra, muitos anos depois apareceram uns puxa-sacos que queriam homenagear o ditador Getúlio Vargas e montaram uma tranqueira no meio da Praça João Ribeiro, escondendo a Catedral dos próprios lageanos e atrapalhando os turistas que desejam fotografá-la ou filmá-la de frente.
Derrubar a Catedral não convém. Todavia, aquele monstrengo que abriga o busto do Getúlio bem que poderia ser remanejado para um canto qualquer.


Fonte: http://saojoaquimonline.com.br/verbas-para-a-catedral

Comentário:

Uma antiga polêmica de Lages diz respeito à alteração de lugar do Monumento Getúlio Vargas para outro local na mesma praça. Com isso, o ato de fotografar ou filmar a Catedral Diocesana, um dos mais belos monumentos históricos e arquitetônicos do Brasil, ficaria mais facilitado e com melhor qualidade de exposição.

O problema reside na resistência dos saudosistas da Revolução de 1930, que contou à época com o apoio de civis e militares lageanos, e a vontade política no final da década de 1950 de homenagear o caudilho gaúcho e ditador durante o Estado Novo e a Segunda Guerra Mundial, Getúlio Dorneles Vargas, pelas criação de importantes estatais e obras públicas nacionais, além da criação das leis trabalhistas vigentes na CLT. Em 24 de agosto de 1954 Getúlio, então Presidente da República eleito, suicidou-se no Poder.   

Justa a homenagem, porém os construtores só não se aperceberam da má escolha do local, já que ele tornou-se um obstáculo para a imagem frontal da Catedral. Basta deslocar alguns metros para a direita e mudar de posição, até porque se estado de conservação do revestimento cerâmico está precisando de reformas urgentes. É a hora ideal para fazer esse ajuste de leiaute na Praça João Ribeiro. Mesmo diante do desagrado da minoria que prefere deixá-lo onde está.

No dizer de outras pessoas, elas demoliriam tudo e enviariam o busto de bronze como presente de Lages para a cidade de São Borja RS, pois não existe nenhuma obra pública em Lages construída com recursos destinados pelo Governo do Getúlio, o que não just
ificaria a ocupação de um espaço tão nobre na praça da Catedral.


Entre esses dois extremos, a idéia de deslocamento e mudança de posição a meu ver é a mais eficaz e politicamente menos desgantante para a Municipalidade. O primeiro passo, democraticamente, seria organizar um plebiscito no próprio  local durante uma semana. O resultado seria surpreendente.  


sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A grande Catedral de Lages

 

 





Pode-se afirmar que a Catedral de Lages é o mais belo monumento de Santa Catarina e um dos mais originais do Brasil.

Projetada pelo padre alemão Frei Egydio Lother, sua construção iniciou em julho de 1912 e foi inaugurada no Natal de 1921. De início, chamada apenas Igreja Nossa Senhora dos Prazeres, passou a ser Catedral em 18 de outubro de 1929, (Matriz de Lages), quando D. Daniel Hostin tornou-se nosso primeiro Bispo Diocesano.

O projeto da Catedral de Lages inspirou-se, na planta baixa, na forma e cobertura das torres piramidais multifacetadas da monumental Catedral de Magdeburg (Templo de São Maurício e Santa Catrina) e que se constitui na primeira construção gótica da Alemanha, erigida com grande vigor e força de expressão ainda em 1209.

Conforme o arquiteto João Preto de Oliveira, o estilo da Catedral de Magdeburg, na antiga Prússia, marca a transição do Romântico do Reno para o Gótico, mas teve acabamento com refinamento gótico, principalmente no seu interior e arcadas das aberturas e porta principal. Pode-se dizer que hoje o estilo define-se como uma transição entre o Gótico Primitivo e o Gótico Tardio.

Observe-se que o gótico Tardio é baseado na Catedral de Saint Denis, na França, ainda no século XII, construída em 1163, mas suas torres não tem telhado. A técnica da Construção Gótica é um sistema de equilíbrio que usa um critério bem diverso do clássico Romântico, segundo o professor João Preto.

O Gótico é dotado de arcos ogivais, inspirados na velha Mesopotâmia (de onde veio com os Cruzados franceses), com contrafortes e rebordos de outras arquiteturas. A maior característica são o Arcobotante e o Pináculo. O primeiro é executado antes em madeira e depois em pedra, introduzido para resistir e transmitir os efeitos deslocadores dos empuxes das varias abóbadas, como na Catedral de Lages. O segundo reforça os suportes, facilitando a função dos arcos. Foi isso que permitiu abrir, nas paredes, grandes e numerosos vitrais.

Mas, o importante é quem o Gótico nasceu para ser executado em pedra, o que se deve à habilidade dos antigos operários que trabalharam em Lages. O estilo também poderia ser chamado de Ogival, pelas várias ogivas em seu interior, que permitem a estabilidade na distribuição de apoios...

A tradição que a palavra “Gótica” vem de “Gôdo” (bárbaro) empregada na Renascença pelos iluministas italianos, talvez pejorativamente para designar a grande arte que ultrapassou o Românico, a partir do Século XII. Compreende-se a reação italiana pela invasão e saque da então “capital do mundo” pelos germânicos de Alarico, o Bárbaro.

Mas o importante a destacar é que a Catedral de Lages tem as principais características do Estilo Gótico: paredes leves e altas, buscando no verticalismo o encontro com Deus! Poucos contrafortes de reforço. Janelas verticais com arcos góticos irradiando luzes espirituais. Torres ornamentadas com pequenas rosáceas e detalhes em pedra, Consolidação dos arcos internos por abóbodas de arcos cruzados, formando naves nervuradas. Telhados nas torres em forma de pirâmides multifacetadas, com coberturas metálicas. Fachada com belíssima rosácea, guarnecida de detalhes esculturais sobre a porta principal, para a exaltação da luz, Comunicação com o Divino e o Sobrenatural, buscando o Sagrado. Altar rigorosamente Gótico!

Os sinos vieram da Alemanha (Leipzig). O maior (Cristo Salvador) pesa 1520 quilos e seu badalo pesa 87 quilos. É em nota dó. O médio (Santa Maria), em nota Sol, pesa 920 quilos e seu badalo 66. O menor (São Francisco), em lá, pesa 610 quilos e o badalo 48. Estão entre os maiores e mais pesados do mundo! O seu preço chegou a 30% do valor total da obra. E quase tudo foi financiado pelos grandes fazendeiros de região.

Os Coronéis dos Coronéis

Os mais poderosos senhores dos Campos de Lages se reuniram em junho de 1912 para doar fundos para a construção da grande Catedral de Estilo Gótico-Românico, que é hoje um dos mais belos monumentos do país. Entre eles, o fazendeiro da Coxilha Rica Henrique Ramos, o cel. Belisário Ramos, o intelectual Thiago de Castro e o Coronel dos Coronéis, Voluntário da Pátria, casado com uma índia o riquíssimo José Maria Domingues de Arruda, o padre alemão de Leipzig que projetou e construiu a Igreja, Frei Egydio Lother.

Fonte: Jornal Correio Lageano


No levantamento de fundos para construção da Catedral foi escalado pelos Franciscanos o Frei "Rapa Bocó", que percorreu a Coxilha Rica visitando as Fazendas e, dizem as más línguas, prometendo amaldiçoar quem não rapasse o bocó, a bruaca, a guaiaca ou a jibeira, para fazer seu donativo para a Igreja. Foi, em seu tempo, um lutador severo, uma espécie de Pastor Mendes no seu atual esforço para conseguir verbas destinadas à construção do Templo da Igreja Quadrangular na Avenida Belisário Ramos. Literalmente o Frei rapou o bocó dos fazendeiros de então e a majestosa Catedral lageana foi erguida!

Aproveitando sua estada na Coxilha Rica, fez também um recrutamento de homens e mulheres, "voluntários e voluntárias", para lutarem ao lado dos jagunços na Guerra do Contestado, onde ele teria morrido na batalha final de destruição da Cidadela de Taquarussu, em Curitibanos, pela ação das forças federais.

Texto folclórico do Zé Salamargo, criador deste blog.