sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A HISTÓRIA QUE SE DESCONHECE


LAGES ANTIGA 


TÂNIA ARRUDA KOTCHERGENKO - BLOG http://lageshistorica.blogspot.com/

Há cinco anos, ao pesquisar a origem de sua própria família, Tânia Arruda Kotchergenko descobriu registros históricos importantíssimos sobre a origem de Lages. São informações documentais que remontam décadas anteriores à fundação da Vila de Nossa Senhora dos Prazeres das Lagens. O achado histórico fará parte de dois livros e mudará a noção que se tem da história lageana.

              Dedicada pesquisa em arquivos de mu­seus e cartórios, em Lages, Curitiba, São Paulo e Porto Alegre, além de es­tudo de antigos autores que se debru­çaram sobre as origens de Lages e de  seu povo, resultaram no descobrimento de informações que mudarão para sempre a noção que se tinha até então de muitos históricos.

Tudo começou quando Tânia Kotchergenko,­ nascida em Lages em 1959, ao elaborar a árvore genealógica de sua família e chegar ao bisavô, José Domingos de Arruda, deparou-se com fa­tos incomuns à história até então conhecida e difundida. O ancestral chegara a Lages em 1833, época em que já havia sido criada a Capitania de Santa Catarina - desmembrada de São Paulo. "José Domingos de Arruda chegou com muito dinheiro e muitas cabeças de gado, e era preci­so saber o que se passava na época. O que o in­fluenciou a vir para cá", comenta a pesquisadora e genealogista.

"Genealogia não é apenas o levantamento de nomes e datas. É também o contexto históri­co. Portanto, a árvore genealógica leva necessa­riamente aos acontecimentos de época", explica. Assim, a pesquisadora chegou à série de 168 artigos de Walter Dachs publicados no jor­nal "Guia Serrano" de 1960 a 1964, ininterrupta­mente, sob o título "Histórico da Vila de Nossa Senhora dos Prazeres das Lagens". O primeiro deles, com subtítulo "A origem do nome de La­ges", é datado de 30 de abril - edição número 2124 do jornal.

História passada a limpo           

Segundo Tânia, Dachs foi o primeiro histo­riador residente em Lages. Porém, antes dele, em 1909, o paraense Romário Martins havia es­crito 'Fundação de Lages, até 1823. Argumentos e Documentos. O historiador e jornalista Licurgo Costa, autor de 'O Continente das Lagens' (quatro volumes), pesquisou muito os escritos de - Dachs e Romário. Posso afirmar que 70% do que foi escrito nesse livro tem como fonte os artigos de Dachs", afirma.

"Como jornalista, Licurgo teve a iniciativa de compilar isso de uma forma que pudesse ser a­presentado e usufruído pela comunidade. E tem ainda parte de criação própria desse profissio­nal que acrescenta a história pós - Dachs até a época atual", avalia.

A pesquisadora lageana conta que desco­briu o livro de Romário, através da Internet, em São Paulo. Um primo dela que é historiador dis­ponibilizou as informações históricas para que pudesse trabalhar. Isso ocorreu graças a uma rede de contatos que reúne amigos genealogis­tas.

Lages como centro estratégico

Tânia considera Walter Dachs e Romário Martins como sendo os principais historiadores de Lages, embora as obras deles não tenham ti­do até hoje a devida valorização. "Quem domina a política, invariavelmente passa a influenciar na produção e divulgação dos fatos históricos e educacionais", comenta a pesquisadora.

Tânia diz que tanto Romário Martins quanto o político Conselheiro Mafra produziram infor­mações "fora de série sobre Lages". Isso ocorreu em torno das teses de sustentação e defesa dos limites territoriais de Paraná e Santa Catarina, durante o Contestado. Romário' defendia o Esta­do do Paraná e Mafra argumentava a favor de Santa Catarina. Mafra teria ido até Portugal no acervo do Porto, buscar subsídios (provas docu­mentais) em favor de Se. Lages foi o foco da defesa para se ganhar o território contestado. Alegava-se sempre que La­ges pertencia a Santa Catarina. Aquele litígio te­ria contribuído sobremaneira para o conheci­mento da história de Lages.

Segundo Tânia, com a morte de Walter Da­chs, em 1964, a pesquisa histórica sobre Lages foi interrompida. Apenas ele pesquisava, na épo­ca. "Estamos em busca de informações precisas sobre esse historiador. Sabe-se apenas que ti­nha como fonte de pesquisa os arquivos da Igreja.

Fonte: Entrevista de Tânia concedida à Revista Visão do Gugu Garcia


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